

Na quarta-feira (30), o Presidente do Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região, Paulo Cerqueira, participou de uma entrevista exclusiva, na Rádio 98 FM, onde discutiu diversas questões cruciais que afetam os bancários e clientes das agências bancárias em todo o Brasil. A entrevista proporcionou uma visão aprofundada das preocupações do sindicato em relação à segurança, filas, demissões, assédio moral, metas e lucros dos bancos.
Segurança nas Agências Bancárias em Risco
O representante do sindicato expressou profunda preocupação com a segurança nas agências bancárias. Segundo ele, os bancos têm priorizado a proteção do dinheiro, que é manipulado nas agências, em detrimento da segurança e da vida dos empregados e clientes. O sindicato destacou um projeto de Lei estadual, proposto pelo deputado Charles Santos (Republicanos), que visa o fim das portas giratórias nas agências e argumentou que isso poderia comprometer ainda mais a segurança nas agências, colocando em risco a vida de todos.
Filas Desumanas e Falta de Respeito com os Clientes
Paulo Cerqueira também condenou veementemente a falta de respeito com os clientes devido às longas filas nas agências bancárias. Ele destacou a falta de humanidade ao submeter as pessoas a condições adversas, como exposição ao sol intenso e chuvas, enquanto esperam atendimento. O sindicato enfatizou a necessidade de os bancos tratarem os usuários de forma mais digna e resoluta, e anunciou que, caso as instituições bancárias não resolvam esse problema, o sindicato tomará medidas legais, incluindo a possibilidade de acionar o Ministério Público do Trabalho.
Demissões e Impacto nas Condições de Trabalho
O representante sindical argumentou que as demissões têm sido a raiz de muitos dos problemas enfrentados pelos bancários, incluindo a sobrecarga de trabalho, insatisfação dos clientes e riscos à segurança dos empregados. Ele apontou que o avanço tecnológico tem levado à redução de empregados nos bancos, contribuindo para o aumento do desemprego no país.
Só para exemplificar, o nível de desemprego no país está em 8%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua, divulgada em julho pelo IBGE. ? o menor índice para o segundo trimestre, encerrado em junho, desde 2014.
Entretanto, estudo feito pelo DIEESE, com base no CAGED do Ministério do Trabalho, os bancos só no trimestre março a junho/2023 demitiram 1227 bancários.
Os jovens e as mulheres são quem mais sofre com as demissões, aponta estudo feito pelo IBGE, isso em todas as classes, não só entre bancários.
Assédio Moral no Ambiente de Trabalho
O sindicato também expressou preocupação com o tema. Pesquisa feita pela Organização Internacional do Trabalho revela que 1 a cada 5 pessoas empregadas já sofreu algum tipo de violência no trabalho. As mulheres são as maiores vítimas 1 a cada 3 declarou ter sofrido algum tipo de assédio.
A Comissão de Defesa dos Direitos da mulher, na Câmara dos Deputados, realizou em junho um debate, com os movimentos sociais sobre a ratificação pelo Brasil da Convenção 190 da OIT, que reconhece o direito de as pessoas serem livres da violência e assédio no ambiente de trabalho.
O Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni não recebeu nenhuma denúncia nesse sentido, isso não quer dizer que não aconteça. Orientamos aos bancários e bancárias a denunciarem toda e qualquer forma de assédio sofrido. Só com a denúncia o sindicato pode tomar providências para erradicar tal prática, punindo os assediadores e garantimos o sigilo da fonte para evitar retaliações ao denunciante
Metas Abusivas e Impacto na Saúde
Durante a entrevista, o sindicato discutiu a pressão constante imposta aos bancários para cumprir metas, muitas vezes consideradas abusivas e quase impossíveis de alcançar. Isso tem levado ao adoecimento da categoria, com um aumento significativo nos afastamentos por doenças mentais e comportamentais.
Lucros dos Bancos em Contraste com Demissões
O representante sindical ressaltou que, enquanto os bancos continuam a registrar lucros substanciais, os bancários enfrentam demissões e fechamento de agências. Ele apresentou dados impressionantes, destacando que os cinco maiores bancos do Brasil lucraram bilhões em 2022 e continuam a prosperar no primeiro semestre deste ano, apesar dos desafios enfrentados pelos funcionários.
Negociações Coletivas e Taxa Negocial
Por fim, o representante sindical mencionou as negociações coletivas em andamento, que buscam a manutenção dos direitos dos trabalhadores, incluindo reajustes salariais medidos pela inflação acrescidos de 0,5% de ganho real. Além disso, ele informou que a discussão sobre a Taxa Negocial está em curso no STF, destacando que essa taxa é fundamental para financiar a luta em defesa dos trabalhadores, mas só será efetivada se aprovada em assembleias sindicais.
A entrevista na rádio destacou a importância de abordar e resolver essas questões urgentes que afetam a categoria e a sociedade como um todo, chamando a atenção para a necessidade de um equilíbrio entre os interesses dos bancos e o bem-estar dos trabalhadores e clientes do setor bancário.
Assista na entrevista na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=bWRficXf8mA
Publicado em: 05/09/2023 / 13:00:00