Notícias

Movimento Sindical repudia manutenção da Selic em 13,75%
Postura do Banco Central é criticada amplamente por prejudicar o desenvolvimento do país e obrigar o governo a continuar revertendo mais recursos para o pagamento de juros da dívida pública, beneficiando rentistas e grandes bancos, em detrimento da população que tanto necessita de investimento em políticas sociais e de infraestrutura.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil manteve, nesta quarta-feira (3), a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. Foi a sexta reunião consecutiva que a taxa é mantida no mesmo patamar. Para os trabalhadores do ramo financeiro, a política de juros do Banco Central do Brasil não cumpre a função de reduzir a inflação e atrapalha o desenvolvimento do país, com consequências drásticas para a geração de emprego e renda.

A decisão tomada nesta quarta-feira ocorre apesar das críticas que o BC vem recebendo do governo, do setor produtivo e de movimentos sociais. A postura do órgão é criticada amplamente por prejudicar o crescimento do Brasil e obrigar o governo a continuar revertendo mais recursos para o pagamento de juros da dívida pública. Desta forma, são beneficiados rentistas e grandes bancos, em detrimento da população que tanto necessita de investimento em políticas sociais e de infraestrutura. A decisão impede que o Brasil aumente investimentos no setor produtivo para a economia voltar crescer e gerar emprego e renda, e ajuda a comprovar, mais uma vez, que o BC não está a serviço dos interesses do povo, mas sim dos banqueiros e dos super-ricos, os únicos beneficiados com a prática de juros elevadíssimos, porque aumentam seus ganhos com a especulação em títulos públicos, a despeito do aumento da miséria e do endividamento das famílias.

Em crítica direta ao principal argumento do BC para a elevação e manutenção da Selic em 13,75%, os representantes dos bancários explicam que a inflação no Brasil não é gerada por demanda e que, por isso, não tem sentido a escalada da taxa de juros no país. Em março de 2021, a taxa básica de Juros (Selic) estava em 2%. A partir de abril começou a subir e atingiu os 13,75% atuais. No mesmo período, a inflação subiu de 6,10%, chegou a 12,13% em abril de 2022 e as estimativas são de que feche 2023 em 6,05%. ??Aumentaram as taxas de juros em 10 pontos percentuais e a inflação não caiu. Ao contrário, quase dobrou e somente recuou quando houve a redução de preços dos combustíveis. Ou seja, a alta dos juros não controla a atual inflação brasileira, pois ela não é gerada por demanda, não há aumento do consumo?, afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, ao ressaltar que a inflação brasileira é gerada por fatores externos e climáticos, se referindo à guerra na Ucrânia e ao período de seca ocorrido no Brasil, que afetaram a produção agropecuária e energética. ??Existem muitos fatores que influenciam na redução, ou aumento, da inflação, mas o BC considera apenas a alta de juros?, completou

Outro argumento do BC para a manutenção da taxa básica de juros contestado pelos trabalhadores é o índice de inadimplência. ??Hoje temos mais de 70 milhões de brasileiros adultos endividados. Em 2021, quando o Banco Central começou sua política de alta das taxas de juros, havia 63 milhões de endividados. Isso apenas comprova que aumentar os juros, além de não reduzir a atual inflação brasileira, contribui para o aumento do endividamento das famílias e o Banco Central utiliza esse aumento para justificar sua política?, observou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, ao lembrar ainda que muitas empresas também não estão suportando o aumento das taxas de juros e estão entrando em endividamento. Se considerarmos os últimos quatro anos, veremos que o endividamento dos brasileiros subiu de 59% para 79% entre as famílias, sendo que 85% delas possui dívidas com as operadoras de cartão de crédito, que cobram juros de 400%.

Em reunião realizada nesta quarta-feira (3), o Comando Nacional dos Bancários reforçou a importância de manter a mobilização por #JurosBaixosJá e pela saída do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para os representantes da categoria, a atual política do BC vai contra o projeto de desenvolvimento do país.


Fonte: Sintraf T.O e Região com Contraf-CUT


 

Publicado em: 04/05/2023 / 15:00:09

Eventos


Nenhum conteúdo disponível no momento.


Jornal

O Espelho - Dia de Luta no Banco do Brasil

Download

Entidades

FETRAFI-MG

CONTRAF

CUT Brasil

LINKS IMPORTANTES