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GDP mostra a destruição da política de pessoas da Caixa
Mecanismo introduzido pela administração Pedro Guimarães no programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) oprime e desqualifica o trabalho realizado pelos empregados

O mecanismo de â??curva forçadaâ?�, introduzido no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) da Caixa Econômica Federal em 2021, está gerando milhares de vítimas entre os empregados do banco. Segundo a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Fabiana Uehara Proscholdt, 65% do quadro estão classificados de razoável para ruim.

â??Ã? um mecanismo retrógrado, que foi abandonado pela iniciativa privada nos anos 1980, por não conseguir melhorar o desempenho dos trabalhadores e ser utilizado apenas para reduzir remuneração e justificar demissões. Mas, a Caixa, mesmo sabendo disso, resolveu implantá-lo para â??criar uma nova cultura empresarialâ?? nos gestores e seus subordinadosâ?�, observou a coordenadora da CEE, ao lembrar que, após inserir o mecanismo na GDP e ser cobrada a dar explicações, a Caixa, em reunião com a representação dos empregados, reconheceu que a â??curva forçadaâ?� visa mudar a cultura dos empregados da Caixa, estabelecer valores empresariais de mercado e forçar a competição pela venda de produtos. â??O mecanismo conseguiu piorar ainda mais a GDP, que já era ruim por utilizar critérios subjetivos e opressores para a avaliação dos empregadosâ?�, completou.

Conforme o Regulamento do Ciclo 2021 da GDP, todos os grupos de avaliação terão limite de 5% dos empregados avaliados com o desempenho â??excelenteâ?� e 30% com â??excelenteâ?� e â??superiorâ?�.

â??Além de limitar a quantidade de empregados que podem ser classificados como excelente, também define que 5% será mantido como â??insatisfatórioâ??. Tudo isso, independente do resultado que os mesmos tenham tido. Assim, ela é utilizada apenas como ferramenta de assédioâ?�, criticou a coordenadora da CEE.

Competição X colaboração

Para a representante dos empregados no Conselho de Administração (CA) da Caixa, Rita Serrano, o conceito da GDP não é adequado. â??Ele incentiva a competição entre as pessoas, instiga o individualismo e acaba com a relação de solidariedade e com a produção pelo prazer e pelo bem comumâ?�, avaliou. â??Existem outros modelos mais adequados para a gestão de desempenho do pessoalâ?�, completou a representante dos empregados no CA da Caixa.

Rita observa que a GDP define o pagamento do bônus Caixa, que é um pagamento para os gestores, â??mas há questionamento, inclusive, se os critérios para avaliação e pagamento do bônus foram aplicados de maneira correta, conforme as premissas definidas pelo próprio bancoâ?�, disse. Muitos empregados estão reclamando das enormes disparidades nas avaliações e que na segunda-feira (2) à tarde a Caixa bloqueou o acesso à avaliação.

Para a coordenadora da CEE, a GDP ataca as relações e direitos trabalhistas e expõe os empregados a uma disputa insana. â??Os empregados já têm valores empresariais, atuam no mercado. Nem por isso precisam ser massacradosâ?�, criticou. â??Reflete a maneira como foi implementado, sem negociação com as entidades de representação dos trabalhadores, com critérios obscuros. Por isso sempre fomos contra a GDP. Agora, com a inserção da â??curva forçadaâ?? na GDP, somos ainda mais contra e insistimos para que tal mecanismo seja abandonado pelo bancoâ?�, completou.

Fabiana diz que a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), por meio da CEE, vai cobrar que a Caixa cumpra sua promessa de que debateria a GDP com os empregados e suas representações sindicais. â??Além disso, vamos questionar a Caixa sobre quais critérios foram utilizados pelo banco para efetuar o pagamentoâ?�, concluiu.

Fonte: Contraf-CUT


 

Publicado em: 03/05/2022 / 17:22:51

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