As empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal continuam denunciando assédio, mesmo após a mudança na gestão do banco. ??A Daniella Marques chegou com um discurso de humanidade e acolhimento, mas o que nos parece é que é tudo da ??boca pra fora??. Na prática, ela está implementando a política do seu chefe, Paulo Guedes, de desrespeito às empregadas e aos empregados e seus limites, com duplicação de meta de vendas de produtos sem que tenha havido qualquer mudança conjuntural que justifique tal medida?, disse o dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, que é empregado da Caixa.
Depois de promover lives nacionais e regionais para orientar a venda casada de seguros, cartões de crédito e outros produtos bancários, para clientes que contratarem financiamentos habitacionais e empresas que utilizarem recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), agora o banco iniciou uma ação voltada às mulheres, o ??Caixa pra Elas?.
Segundo o banco, o ??programa Caixa pra Elas é uma iniciativa para auxiliar as mulheres do Brasil, em especial as de baixa renda, a se tornarem protagonistas de suas realizações, com oferta de pacote de valor especial, promoção de educação financeira e empreendedorismo e, ainda, proteção e apoio à mulher em condições de vulnerabilidade?.
Vender pra elas
Para a diretora executiva da Contraf-CUT e empregada da Caixa, Eliana Brasil, sempre são bem vindos serviços específicos que visam reduzir o preconceito estrutural contra as mulheres na sociedade brasileira. ??Mas, o que nos parece, é que se trata mais de uma ação de marketing para amenizar os impactos sofridos com o escândalo das denúncias envolvendo o ex-presidente da Caixa (Pedro Guimarães), do que algo que efetivamente possa reduzir os problemas enfrentados pelas mulheres brasileiras?, disse. ??Se o banco quisesse verdadeiramente promover alguma mudança de gestão e na sociedade, deveria dar celeridade às investigações das denúncias já feitas e às que chegarem, sempre de forma transparente e objetiva. Isso sim inibiria o assédio e poderia ser tido como exemplo?, completou.
Para Rafael de Castro, trata-se de uma ação que utiliza a pauta das mulheres como estratégia de vendas. ??Como a própria Daniella disse, é a Caixa aproveitando a crise para oportunizar negócios ao invés de combater de frente o problema do assédio moral e sexual, que existe não apenas na Caixa, mas teve recentemente um enorme destaque negativo pra Caixa?, disse. ??Mas, mesmo tendo uma mulher à frente de sua gestão, o banco está se utilizando desse tema como um trampolim pra fazer negócios, com duplicação das metas sem que haja nada que justifique tal aumento e, consequentemente, criando oportunidades para o assédio contra as empregadas e empregados?, completou.
Segundo o dirigente da Contraf-CUT, simplesmente definiram o quanto queriam captar, quantos cartões queriam, quantos seguros e demais serviços queriam fazer e dobraram as metas. ??? a velha prática de quem muito entende de reuniões virtuais, mas que pouco, ou nada, conhece o chão que pisa?, criticou.
Discriminação pra elas
Além de criar oportunidades para o assédio contra as empregadas e os empregados, o programa ??Caixa pra Elas? faz distinção de tratamento entre as possíveis clientes. ??Percebe-se o caráter discriminatório quando se diz que as mulheres de baixa renda serão direcionadas ao ??espaço Caixa pra Elas??, enquanto as ??encarteiradas?? serão atendidas pelos gerentes?, observou o dirigente da Contraf-CUT.
Clientes ??encarteiradas? são aquelas que trazem ou podem trazer rentabilidade para o banco. ??Ou seja, se têm dinheiro, a Caixa não vai ??misturá-las?? com as demais. Ela não precisa estar no espaço criado puramente para marketing?, explicou Eliana Brasil.
Antecipação de dividendos
Outra crítica apontada pelo dirigente da Contraf-CUT é com relação ao interesse do governo na antecipação dos dividendos pelas estatais. ??A Caixa, bem como as demais estatais, se prontificou a atender o pedido para que o governo consiga pagar o novo Auxílio Brasil de R$ 600, na esperança de que o atual mandatário aumente sua popularidade e se mantenha no páreo pela disputa à presidência?, observou.
Fonte: Contraf-CUT








