

As mobilizações ocorreram em diversas cidades de Minas Gerais e em todo o país, com ações nas redes sociais e atividades nas portas das agências, denunciando a contradição entre os lucros bilionários das instituições financeiras e o fechamento de agências, além da redução de postos de trabalho.
Lucro cresce, empregos desaparecem
Na terça-feira (17), o foco das mobilizações foi o Itaú e o Bradesco. Trabalhadores destacaram que, enquanto os bancos ampliam seus lucros, intensificam o fechamento de unidades e o corte de empregos, impactando diretamente tanto os bancários quanto a população usuária dos serviços.
O Bradesco registrou, em 2025, lucro líquido de R$ 24,7 bilhões, crescimento de 26%. Mesmo com a redução de agências e do quadro de funcionários, as receitas com tarifas aumentaram 8,9%.
Já o Itaú Unibanco encerrou 2025 com 82.693 empregados no Brasil, após eliminar 3.535 postos de trabalho em 12 meses — sendo 916 apenas no último trimestre. No mesmo período, o banco fechou 319 agências físicas, apesar do crescimento de 1,8 milhão de clientes, ultrapassando a marca de 100 milhões.
Dirigentes sindicais apontam que os números evidenciam uma contradição: o crescimento da base de clientes e da lucratividade não se traduz em geração de empregos ou melhoria no atendimento.
Reestruturação aprofunda precarização
De acordo com dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, o processo de reestruturação segue avançando no Itaú:
Em 2025, foram fechadas 241 agências na base da Confederação, impactando milhares de trabalhadores;
Para 2026, há previsão de fechamento de mais 188 agências até maio, com novos desligamentos e relocações.
Para o movimento sindical, a política adotada pelos bancos enfraquece o emprego bancário e compromete o atendimento presencial à população, tornando a situação cada vez mais insustentável.
Mercantil: denúncias de pressão e perseguição
Na quinta-feira (19), as mobilizações foram direcionadas ao Banco Mercantil do Brasil, com cobrança por valorização dos trabalhadores, melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e mais segurança nas agências.
O movimento sindical também denunciou práticas de pressão e perseguição por parte da instituição, além de metas consideradas abusivas e de difícil alcance.
Segundo os trabalhadores, mudanças constantes nos critérios de premiação — inclusive durante campanhas em andamento — tornam o ambiente ainda mais instável e injusto.
Ambiente de trabalho adoecedor
De acordo com os relatos, essa dinâmica tem gerado um ambiente de trabalho marcado por:
Pressão excessiva
Insegurança sobre resultados
Metas inalcançáveis
Frustração entre trabalhadores
A situação tem provocado impactos diretos na saúde mental da categoria, com aumento de casos de estresse e ansiedade.
Mobilização segue em todo o país
As atividades realizadas em Minas Gerais, com participação de dirigentes sindicais de cidades como Belo Horizonte, Ipatinga, Juiz de Fora, Divinópolis, Cataguases e Teófilo Otoni, reforçam o caráter nacional da mobilização.
O presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais, Carlindo Dias Abelha, destacou a importância da continuidade das ações como forma de denunciar a política dos bancos e defender emprego digno e atendimento de qualidade à população.
O recado do movimento sindical é claro: não há justificativa para lucros bilionários acompanhados de demissões, fechamento de agências e precarização das condições de trabalho.
Fonte: Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região, com informações da Fetrafi-MG.
Publicado em: 20/03/2026 / 09:34:43