

O Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito da Caixa Econômica Federal, formado pelos representantes dos trabalhadores e do banco, voltou a se reunir nesta segunda-feira (11) para discutir as regras e critérios dos "deltas", como são chamadas as remunerações adicionais pagas conforme a evolução na carreira.
Na última reunião, realizada no dia 15 de outubro, os trabalhadores cobraram a distribuição linear (o mesmo percentual para todos) do 1º delta. Contudo, o banco propôs seis itens que precisariam ser alcançados pelos empregados para a concessão da remuneração adicional:
Para ser elegível ao 2º delta, o banco propôs que o empregado tenha, pelo menos, 300 dias do ano atuando em unidades com nota final 100 no Resultado.Caixa, sendo que o 2º delta será distribuído para 20% dos que conquistarem o 1º delta.
Representantes dos empregados recusam e reforçam princípios fundamentais
Os representantes dos empregados mantiveram a exigência para que o 1º delta seja linear, como explica a representante da Fetrafi-NE no GT, Chay Cândida: "Faltam cerca de 50 dias apenas para o final do ano e são seis critérios que o banco está propondo. O tempo é muito curto. Insistimos na cobrança pela distribuição linear do 1º delta e propomos debater critérios mais justos para a distribuição do 2º delta."
Dois dos itens propostos para a conquista do 1º delta envolvem cursos a distância — Coursera e Busuu. "Faltou a Caixa esclarecer se os cursos poderão ser feitos dentro da jornada de trabalho ou fora dela, bem como a efetiva utilidade de curso de línguas no desenvolvimento dos trabalhos rotineiros de uma unidade da Caixa", observa Tesifon Quevedo Neto, representante da Feeb/SP-MS no GT.
Sobre os critérios apresentados pelo banco para o 2º delta, o representante da Fetec/CN no GT, Guilherme Gonçalves Simões, ressaltou que a obrigatoriedade de 300 dias de lotação em unidade com nota anual a partir de 100 é preocupante. "Estimula a competitividade entre os colegas, o que piora o clima organizacional e aumenta o adoecimento físico e mental na categoria."
"Temos dois pontos fundamentais nesta mesa: o primeiro é que o 1º delta seja linear, ao contrário da proposta da Caixa, que prejudica todos os empregados, especialmente os que atuam na rede. A proposta também é excludente para aqueles que estarão de férias ou em licença médica neste final de ano e, portanto, não terão condições de cumprir os critérios. Os empregados não podem ser penalizados pela demora da Caixa em sentar-se à mesa de negociação", destaca Luiza Hansen, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e membro do GT.
"Também é inegociável que o 2º delta seja pago. A Caixa não paga o 2º delta há dois anos e esse orçamento, que está previsto para ser pago em promoções por mérito e antiguidade, precisa ser destinado integralmente para esse fim", complementa.
Outra exigência dos trabalhadores é a utilização integral do 1% do orçamento previsto para as pessoas contempladas tanto com o 1º quanto com o 2º delta.
Os empregados também pediram para que, em 2025, a Caixa inicie as discussões sobre os critérios para o delta com antecedência. "Os critérios apresentados na mesa de hoje são importantes para a saúde e formação dos colegas. No entanto, devido ao curto período até o final do ano, fica difícil para que consigam cumprir. Como educadora, sei que é necessário ter um planejamento didático, para que as pessoas não sejam incentivadas a atingir esses critérios por interesse financeiro, mas sim para seu crescimento", afirma Sonia Eymard, Diretora de Bancos Públicos do Sindicato do Rio de Janeiro.
Sobre essa reivindicação para que, no próximo ano, os critérios sejam discutidos mais cedo, os representantes da Caixa se comprometeram a iniciar o debate no primeiro trimestre.
Dados
Os representantes da Caixa trouxeram informações sobre as regras de distribuição nos últimos cinco anos:
Calendário
A Caixa ficou de avaliar as reivindicações dos trabalhadores para que o 1º delta seja linear e para que os critérios do 2º delta sejam mais justos e discutidos no GT.
A data da próxima reunião ainda será avaliada e divulgada nas próximas semanas.
"Estamos no limite do tempo para que a Caixa responda às reivindicações da categoria. O delta não é apenas um dos temas mais aguardados pelos colegas, após a campanha nacional, mas também reflete o quanto o banco valoriza o trabalho e a produtividade de cada empregado", conclui Chay Cândida.
Fonte: Contraf
Publicado em: 12/11/2024 / 08:56:23