

A manutenção da rede física tem sido apresentada pela atual administração do Banco do Brasil como uma de suas principais marcas. Em declarações públicas, a presidente da instituição, Tarciana Medeiros, afirmou que o BB é o único banco do sistema financeiro que não está fechando agências, destacando a importância estratégica da presença física para o atendimento da população.
Embora esse discurso esteja amparado em dados formais de preservação da estrutura de agências, a realidade em diversas unidades do país revela um problema que vai além da manutenção das agências abertas: unidades que seguem funcionando sem condições adequadas de trabalho e atendimento, com estrutura insuficiente e quadro de pessoal reduzido.
A situação da Agência Novo Cruzeiro/MG (prefixo 2360), na base do Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região, é um exemplo emblemático desse cenário.
A unidade opera com estrutura física incompatível com a demanda regional, concentrando elevado volume de atendimento, especialmente de beneficiários do INSS. Reconhecida como uma das agências de maior movimento da regional, convive diariamente com filas prolongadas, superlotação e sobrecarga de trabalho para seus empregados.
Esse cenário foi agravado ao longo dos anos pelas reestruturações da rede de atendimento, incluindo o fechamento de agências e postos do próprio Banco do Brasil em gestões anteriores e também de bancos privados na região, como o Bradesco em Novo Cruzeiro.
Além disso, a agência exerce função de referência para municípios vizinhos, muitos dos quais possuem acesso limitado a outras unidades bancárias, o que intensifica ainda mais a demanda.
Desde de 2023, a unidade integra programa de reforma destinado ao seu prefixo, sem que até o momento tenha sido apresentado cronograma formal, solução concreta ou medidas efetivamente implementadas.
Além das limitações de espaço físico, a agência convive com deficiências estruturais que afetam diretamente as condições de trabalho dos empregados e a qualidade do atendimento prestado à população.
Durante visita realizada pelo Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região na última segunda-feira (9), foram identificadas dificuldades relacionadas à disponibilização de equipamentos e mobiliários essenciais para a execução das atividades, incluindo dispositivos de biometria, cadeiras e mesas. Também foi constatado que a trabalhadora responsável pelos serviços de limpeza atua apenas em meio expediente, situação incompatível com o intenso fluxo diário de pessoas na agência. A limitação compromete a adequada higienização dos ambientes de trabalho e atendimento, gerando preocupação quanto às condições oferecidas a trabalhadores e clientes.
As dificuldades observadas demonstram que os problemas enfrentados pela unidade não se limitam à falta de espaço físico, mas envolvem também aspectos básicos de infraestrutura, organização do trabalho e condições de funcionamento.
Apesar da elevada demanda, a unidade não conta com recomposição adequada de seu quadro funcional. Na visita, foi constatado que a agência opera, de forma recorrente, com aproximadamente 40% a 60% de sua capacidade efetiva de trabalho em razão de afastamentos, férias e licenças sem reposição proporcional da força de trabalho.
Há demanda, há necessidade e há vagas, mas faltam trabalhadores e estrutura para garantir um atendimento adequado.
Além disso, permanecem vagas de Agente Comercial em aberto, enquanto a recomposição do quadro não acompanha a demanda crescente. Soma-se a isso a ausência de perspectivas para a realização de novos concursos públicos capazes de suprir as necessidades da rede, conforme informações divulgadas pelo próprio Banco do Brasil durante o ENLID 2026, evento institucional da empresa.
Diante desse quadro, o Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região encaminhou ofício à direção do Banco do Brasil reiterando as denúncias já apresentadas anteriormente e cobrando providências concretas para a agência. Entre os pontos levantados estão a necessidade de recomposição do quadro de pessoal, a regularização das deficiências estruturais identificadas na unidade, a disponibilização de equipamentos e mobiliário adequados, a revisão das condições de limpeza e higienização dos ambientes e a apresentação de cronograma formal para a reforma e ampliação da agência.
O Sindicato ressalta ainda que, caso não haja atendimento às demandas apresentadas, poderá adotar as medidas cabíveis, incluindo a formalização de denúncias e o acionamento de órgãos de fiscalização e controle competentes.
Observa-se ainda que, em movimentos recentes de gestão de pessoal e estrutura, outras dependências da região foram contempladas com funções comissionadas e participaram de programas de remoção incentivada, enquanto a agência de Novo Cruzeiro não foi incluída em iniciativas equivalentes.
Tais processos não foram acompanhados de transparência sobre os critérios utilizados para definição das unidades contempladas, o que reforça a percepção de desigualdade na distribuição de recursos humanos e estruturais.
Quando não há transparência sobre os critérios adotados, cresce a sensação de que unidades com problemas históricos permanecem à margem das soluções implementadas pela empresa.
O caso de Novo Cruzeiro não é um episódio isolado. Ele evidencia uma contradição mais ampla na gestão do Banco do Brasil enquanto instituição pública.
Na base de atuação do Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região, a insuficiência de pessoal tornou-se uma realidade recorrente em diversas unidades do Banco do Brasil, especialmente após o fechamento de agências de bancos privados, o que ampliou a concentração de atendimento e pressionou ainda mais a rede remanescente.
Recentemente, o banco tem ampliado vagas e estruturas das agências, mas sem assegurar mecanismos permanentes e previsíveis de reposição de pessoal por meio de concursos públicos regulares e em quantidade suficiente para atender às necessidades da rede.
Na prática, isso produz um descompasso crescente entre a abertura de vagas, a ampliação das demandas operacionais e a disponibilidade efetiva de trabalhadores para ocupar esses postos.
O resultado é conhecido por quem vive a realidade das agências: sobrecarga de trabalho, aumento da pressão por resultados, adoecimento dos empregados e deterioração da qualidade do atendimento prestado à população.
A manutenção física das agências é importante, mas, por si só, não resolve os problemas do atendimento bancário.
Uma unidade aberta, mas sem pessoal suficiente, sem estrutura adequada e sem condições dignas de trabalho, não atende plenamente aos interesses da população nem aos objetivos de uma instituição pública.
Mais do que preservar prédios e pontos de atendimento, é necessário garantir que as agências tenham condições efetivas de funcionamento.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários de Teófilo Otoni e Região reafirma a necessidade de:
Não basta manter as portas abertas. É preciso garantir que as agências funcionem com estrutura adequada, pessoal suficiente e condições dignas de trabalho e atendimento. Esse é o compromisso que deve ser assegurado em uma instituição pública da importância do Banco do Brasil.
Publicado em: 12/06/2026 / 09:00:00