

Bancárias e bancários, organizados por sindicatos da categoria de todo o país, realizaram, nesta terça-feira (7) um Dia Nacional de Luta em defesa do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e de seus empregados. Em Teófilo Otoni, o Sindicato promoveu uma manifestação em frente a agência do Banco do Brasil e da Caixa, em defesa dos bancos públicos, de melhores condições de trabalho, pelo fim das metas desumanas e por mais contratações.
Nos últimos anos, tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil vêm sofrendo com a redução de pessoal, fechamento de agências e a venda de áreas importantes e altamente lucrativas para a iniciativa privada, o que prejudica o atendimento diário à população, mas sobretudo a atuação dos bancos como um todo.
Durante os atos, foram entregues cartas abertas à população, deixando claro que a sobrecarga de trabalho dos bancários também prejudica o atendimento, com mais filas e tempo de espera. Ao mesmo tempo, foi realizado um tuitaço com a hashtag #ProcuramosNoBBeCaixa.
â??Nosso principal objetivo foi o de denunciar as precárias condições de trabalho em ambos os bancos, que reduzem o quadro de pessoal, sobrecarregam os trabalhadores, estabelecem metas desumanas, abusivas, e promovem o assédio institucional, o que acaba levando muitos ao adoecimentoâ?�, disse a coordenadora do Grupo de Trabalho de Defesa dos Bancos Públicos e secretária de Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes. â??Mas, também mostrar que toda esta situação acaba por prejudicar o atendimento à população e exigir mais contratações, para repor o quadro, reduzir a sobrecarga de trabalho e melhorar o atendimento à populaçãoâ?�, completou Fernanda, que também é funcionária do BB e representa a Contraf-CUT nas negociações com o banco.
Falta de reconhecimento
A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, ressaltou a falta de reconhecimento do trabalho realizado pelos trabalhadores. â??A falta de reconhecimento é um ponto comum em todos os bancos e, mais do que isso, por todos os patrõesâ?�, observou. Ela ressaltou, porém, que a Caixa implantou, sem negociação com as representações sindicais, uma ferramenta chamada de â??curva forçadaâ?� que, independente do resultado obtido, classifica 5% dos empregados como â??não atendeâ?�. â??Eles são punidos com a não evolução no plano de cargos e salários (PCS), por exemplo, o que significa perda de remuneração e de possibilidade de evolução na carreiraâ?�, explicou Fabiana, que também é secretária de Cultura da Contraf-CUT.
Cartas à população
Durante as atividades de rua, foram entregues duas cartas abertas direcionadas à população, para explicar os motivos das manifestações.
â??A reestruturação, em andamento desde o início do ano, reduziu significativamente o número de funcionários e de unidades, sobrecarregando de trabalho os funcionários. O banco precisa reverter este cenário, em benefício do melhor atendimento, diminuição das filas e da aglomeração que aumenta o risco de contágio por Covid-19â?�, diz um trecho da carta aberta dos funcionários do BB.
â??A população sempre teve na Caixa o apoio para o recebimento dos benefícios dos programas sociais do governo. O atendimento à população infelizmente é precário. A verdade é que isso não é culpa dos empregados. Um verdadeiro desmonte do banco está acontecendo e sendo promovido pelo governo Bolsonaro e pelos gestores do banco indicados pelo governoâ?�, afirma um trecho carta aberta dos empregados da Caixa.
Redes sociais
Além das atividades de rua, as redes sociais também foram â??invadidasâ?� pela hashtag #ProcuramosNoBBeCaixa para denunciar a falta de condições de trabalho nos maiores bancos públicos do país.
â??A ideia foi a de mostrarmos que o respeito e a valorização dos trabalhadores é cada vez mais um artigo raro nos bancos públicos, assim como está ficando raro encontrar empregados para realizar o atendimento que a população mereceâ?�, disse a coordenadora da CEE/Caixa. â??O que sobra é mesa vazia, é assédio dos gestores aos seus subordinados, é cobrança de metas abusivasâ?�, completou.
A luta continua
Fabiana disse ainda que as atividades realizadas nesta terça-feira devem continuar até que o banco reconsidere a posição de querer implementar a â??curva forçadaâ?� no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), que já recebia crítica dos empregados mesmo antes do acréscimo da â??curva forçadaâ?�. â??A GDP, que também foi implementada sem negociação com os empregados, já era ruim pois se utiliza de critérios subjetivos para avaliar o desempenho dos trabalhadores. Mas, com esse novo mecanismo implementado, se torna inaceitável. Trata-se de uma ferramenta anacrônica, que foi aposentada até pelas empresas privadas nos anos 1980, por não ser capaz de levar ao desenvolvimento profissional e de desempenho das pessoas. E, pior do que isso, o banco confessou que decidiu usá-la para fazer com que os gestores avaliem os empregados sem serem tão â??bonzinhosâ??â?�, completou a coordenadora da CEE/Caixa.
Fonte: Sintraf T.O e Região com Contraf-CUT
Publicado em: 07/12/2021 / 15:32:43