

Bancárias e bancários de todo o país realizaram, nesta quinta-feira (20), uma paralisação nacional de 24 horas, como forma de advertência à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) diante da falta de respostas às principais reivindicações da categoria por reajustes acima da inflação, valorização profissional e melhores condições de trabalho.
Em Teófilo Otoni e Região, a mobilização também contou com a participação dos bancários e bancárias, com destaque para os trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que se somaram ao movimento nacional e demonstraram, mais uma vez, a força da organização e da mobilização coletiva.
A paralisação reforça que, diante da ausência de propostas concretas nas negociações, a união da categoria é fundamental para pressionar os bancos e garantir avanços. Quando trabalhadores e trabalhadoras permanecem unidos, organizados e mobilizados, sua voz ganha força na defesa de direitos e da valorização profissional.
“A paralisação foi um sucesso, com adesão em todo o país, reafirmando a tradição de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de que a categoria quer respeito e valorização”, avalia a presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.
Neste ano, os trabalhadores do setor realizam a Campanha Nacional Unificada para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Segundo Juvandia Moreira, foram realizadas oito rodadas de negociação com a Fenaban, iniciadas no começo de julho, sem apresentação de uma proposta concreta para as reivindicações da categoria. A falta de avanços levou às assembleias que aprovaram realização do dia nacional de paralisação.
A dirigente destaca ainda que o setor bancário vem passando por um processo acelerado de reestruturação, com impactos significativos sobre os trabalhadores.
Uma consulta nacional realizada com cerca de 55 mil bancários apontou que 40% afirmaram ter utilizado, no último ano, medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes. Segundo dados apresentados pela Contraf-CUT, em 2024 a categoria representou 25% dos afastamentos pelo INSS relacionados a doenças mentais ligadas ao trabalho.
O movimento sindical reivindica reajuste salarial e nas demais remunerações, como PLR, vales-refeição e alimentação, acima da inflação, além de melhorias no piso salarial e a criação de um piso específico para trabalhadores de Tecnologia da Informação (TI).
Os trabalhadores também cobram medidas para combater o assédio moral e o adoecimento relacionado à pressão por metas, equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho.
Em 2025, o setor bancário registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões, sendo R$ 124 bilhões dos cinco maiores bancos, segundo os dados apresentados pela Contraf-CUT. Mesmo diante desses resultados, a categoria segue sem uma sinalização concreta da Fenaban sobre o reajuste, com a data-base se aproximando, em 31 de agosto.
Teófilo Otoni mostra que a união faz a diferença
A participação dos bancários e bancárias de Teófilo Otoni e Região, especialmente dos trabalhadores da Caixa e do Banco do Brasil, reafirma a importância da união e da mobilização local dentro da Campanha Nacional.
A luta por melhores salários, condições dignas de trabalho, respeito aos trabalhadores e qualidade no atendimento à população não acontece de forma isolada. Cada agência mobilizada, cada trabalhador que participa e cada sindicato que organiza sua base fortalecem a negociação nacional.
A paralisação de 24 horas deixa um recado claro: a categoria está unida, mobilizada e disposta a lutar por uma proposta decente.
Digitalização não pode servir de justificativa para precarização
Os trabalhadores contestam a tese de que o fechamento de agências e postos de trabalho seja uma consequência inevitável da digitalização e do aumento da concorrência.
Segundo os dados apresentados pelo movimento sindical, entre 2015 e 2025, o setor bancário fechou 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos ampliaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços.
A redução das estruturas físicas também impacta diretamente a população, especialmente clientes que dependem do atendimento presencial, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre os trabalhadores que permanecem nas agências.
Para os bancários e bancárias de Teófilo Otoni e Região, a mobilização demonstra que somente com união, organização e participação coletiva será possível avançar nas reivindicações da categoria.
A paralisação nacional de 20 de agosto representa mais um capítulo da Campanha Nacional Unificada e reforça a importância de permanecer juntos na luta.
Bancários unidos são mais fortes.
A luta é coletiva. A conquista também.
Sintraf T.O. e Região com Contraf - CUT
Publicado em: 21/08/2026 / 10:58:08